O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se alvo de intensas críticas nas redes sociais e em setores da oposição após declarações feitas no dia 26 de agosto, durante um encontro em Brasília. A polêmica surgiu quando Lula questionou o uso da imagem de um homem negro sem dentes, ao lado de uma mulher branca, em um material de divulgação institucional.
Segundo o presidente, a fotografia transmitia uma imagem depreciativa do Brasil no exterior. “Como é que você coloca essa fotografia desse senhor negro sem dente? Isso é fotografia para representar o Brasil lá fora?”, teria dito Lula ao responsável pela campanha.
O comentário foi rapidamente interpretado por críticos como racista, gerando uma onda de protestos online. O vereador Ismael Bastos, por exemplo, afirmou: “Nunca se viu um presidente tão racista quanto esse.” Outros opositores classificaram a declaração como uma demonstração de preconceito e falta de sensibilidade.
No entanto, aliados do governo defendem que as palavras foram retiradas de contexto. Para eles, a crítica de Lula estava direcionada ao uso de estereótipos que reforçam desigualdades históricas e não ao homem retratado em si. O vereador Ivamberg Lima, do PT, destacou que o presidente sempre esteve na linha de frente de políticas sociais e lembrou o programa Brasil Sorridente, criado nos seus primeiros mandatos, que levou tratamento odontológico gratuito a milhões de brasileiros.
Académicos e analistas de comunicação reconhecem que a fala de Lula é “problemática”, sobretudo pela forma como foi expressa, mas ponderam que não há consenso se se trata de um ato de racismo ou de uma crítica mal formulada contra estigmas sociais.
A polêmica expõe um debate recorrente no Brasil: como representar a população negra e as camadas mais pobres em campanhas públicas sem reforçar estigmas de miséria ou exclusão. Para uns, Lula apenas denunciou o preconceito implícito na escolha da imagem; para outros, sua fala acabou por reproduzir o mesmo preconceito que pretendia criticar.
O episódio evidencia como linguagem, imagem e representação social permanecem campos sensíveis e disputados na política brasileira e mostra que o debate sobre racismo continua no centro da agenda pública.