
Milhares de civis foram expulsos da cidade de Goma, na República Democrática do Congo (RDC), por rebeldes do grupo M23 no sábado, 17 de maio. Entre os afetados estão mulheres e crianças, supostamente familiares de indivíduos que o grupo alega serem ilegais em território congolês.
De acordo com testemunhas locais, os expulsos foram transportados em camiões até à fronteira com o Ruanda, e os seus documentos, emitidos pelas autoridades da RDC, foram queimados sob a acusação de serem falsificados.
A maioria dos repatriados provém da região de Karenga, no Kivu do Norte, anteriormente sob domínio das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), grupo que tem sido alvo de graves acusações de atrocidades na região.
O governo congolês é frequentemente acusado por Kigali e pelo próprio M23 de apoiar as FDLR, num ciclo contínuo de tensão e violência transfronteiriça.
Segundo Eujin Byun, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), cerca de 360 pessoas foram repatriadas no sábado para Ruanda.
A crise humanitária no leste da RDC continua a agravar-se, com populações civis apanhadas no fogo cruzado entre grupos armados e forças políticas rivais, numa zona marcada por décadas de instabilidade. (O País)